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"O Donald Trump é um idiota"
Andrew Bird atua dia 8 na Casa da Música no Porto e dia 9 no CCB em Lisboa
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Miguel Azevedo
08/11/2016 20H02

De regresso a Portugal, o que está a preparar para este reencontro com os fãs portugueses?
Estive em Portugal no verão do ano passado a gravar no Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. É um espaço incrível e as gravações que fiz nessa altura vou aproveitar para gravar mais um disco ‘Echolocations’. Aliás, já se pode ouvir um pouco daquilo que fiz no tema ‘Puma’, do meu último disco. Por isso, neste regresso a Portugal os meus concertos vão ser muito inspirados por essa experiência. Vou interpretar sobretudo versões a solo de canções novas e antigas a partir das quais as pessoas podem perceber como construo uma canção desde a raiz

Guarda boas recordações das vezes que já passou por cá?
Lembro-me de ter tido boas conversas com pessoas inteligentes. E depois o público português é muito curioso e caloroso. Além do mais, gosto bastante de fado e fui a várias casas em Alfama. Aprendi um fado da Amália Rodrigues e ouvi Carlos Paredes. Os meus amigos em Lisboa educam-me bem.

Lançou o seu último disco, ‘Are You Serious’, em maio. Como é que tem sido a receção dos fãs ao longo destes meses?
Tem sido muito boa. Há muitas coisas para explorar neste novo disco, mas aqueles que me têm seguido ao longo dos anos têm aprendido a esperar o inesperado. Desde o primeiro dia em que lancei este disco parece que eles já sabiam as canções todas.

É verdade que escreveu este álbum em apenas uma semana?
É verdade que cerca de metade das letras foram escritas num curto período de tempo, na nossa quinta de família em Illinois. Não é muito vulgar para mim escrever tão rápido, mas houve canções que demoraram muito mais. ‘Left Handed Kisses’, por exemplo, levou cinco anos e ‘Capsized’ demorou treze anos a escrever. Acho que tinha de reprimir algumas coisas que aconteceram em Nova Iorque para passar por elas e quando cheguei à quinta tudo veio à tona.

Já disse que este é o seu álbum mais pessoal lançado até ao momento. É confortável escrever sobre si?
Não. Na verdade, não está na minha natureza partilhar. Não foi assim que fui educado. De resto, esse é o significado deste disco, ‘Are You Serious’, que tem muito a ver com esta contradição. Mas todos nós escrevemos sobre aquilo que vivemos e por isso é impossível excluir as minhas experiências do meu trabalho.

O Andrew Bird lança oito discos em dez anos. Tudo isto é excesso de criatividade?
Sou capaz de escrever uma canção todos os dias e por isso é algo que não dá muito trabalho.

Uma das grandes particularidades das suas canções são as letras. Considera-se um poeta?
Sim.

Mas sabendo-se que nem todos os poetas são músicos, será verdade que cada músico que escreve as suas próprias letras é sempre um poeta?
Sou da opinião de que qualquer poeta deve recitar as suas palavras e ouvi-las a encher uma sala. Acho que quase tudo pode ser música. Já ouviram a expressão "eles poderiam cantar a lista telefónica"? Pode qualquer coisa ser poesia? Penso que depende do contexto.

Acha que o recente prémio Nobel da Literatura entregue a Bob Dylan pode contribuir para mudar a forma como a música pop é vista pela generalidade das pessoas?
Tenho muitas dúvidas. A minha esperança é que com este Nobel possamos esperar mais dos nossos escritores de canções e que as letras se tornem melhores. De resto, acho que não devemos esperar muito das nossas canções pop. Acho que é uma oportunidade perdida. Todos nós esperamos romances complexos e ardilosos. Porque não canções? O problema é que eu acho que o Dylan é tão endeusado que receio que isso não venha a acontecer.

Está a completar agora 20 anos de carreira desde a edição do seu primeiro disco. Está satisfeito com o que tem conseguido nestas duas décadas de atividade?
Estou contente, mas nem sempre satisfeito. Ainda me sinto novo, como se tivesse sempre alguma coisa para provar. Ainda estou nas trincheiras. E independentemente do sucesso que tenha, acho que vou sentir-me sempre assim.

Hoje, o Andrew Bird é um nome conhecido em todo o Mundo, mas durante muito tempo alguma imprensa norte-
-americana chamava-o de ‘o segredo mais bem guardado de Chicago’. Isso era alguma coisa de que se orgulhava ou algo que o deixava ansioso?
Durante algum tempo senti-me de facto como o segredo favorito de muita gente, mas a verdade é que ninguém apostava num violinista que assobiava.

Já que fala nisso, o que é que descobriu primeiro como artista: o violino, o talento para assobiar ou a voz?
O violino apareceu primeiro e só depois o assobio. Quanto ao cantar, só descobri que o poderia fazer depois dos 19 anos.

Como é que uma criança se interessa por tocar violino?
A minha mãe estava empenhada nisso. Ela é uma santa. E depois aos quatro anos uma criança não sabe bem o que quer. Em certa medida tem que ser forçada e ouvir "isto é o que vais fazer". Quando dei por mim tinha oito anos e já tocava bastante bem.

Como é que foi esse início na música? Qual é a primeira memória que lhe ocorre quando pensa nesse período?
Recordo-me da minha avó a ensinar-me a assobiar e da minha mãe a aprender a tocar violino comigo. Ela era terrível, mas aquilo acabou por gerar uma enorme solidariedade.

Percebeu logo na infância que o seu caminho tinha necessariamente de passar pela música ou desejava vir a ter outra profissão?
A música era apenas algo que fazia. Quando era mais novo pensava em vir a ser psiquiatra. Só que aos 16 anos acabei por me apaixonar pelo violino. Nem tudo me corria bem naquela altura, mas até era bastante bom naquilo. Ainda assim odiei quando comecei a tocar seis horas por dia.

Quando é que acha que se tornou um músico mais popular?
Tem sido uma coisa muito gradual, sem grandes êxitos e isso tem as suas vantagens. Isso leva a que o meu público não me julgue.

Dentro de dias os EUA terão um novo presidente. Donald Trump tem sido arrasado por vários músicos em todo o Mundo. Também partilha deste coro anti-Trump?
O Trump é um idiota, mas o que é mais preocupante são os milhões de americanos que acreditam nele. Ele e o seu slogan de campanha, ‘Make America Great Again’ [vamos tornar a América grande outra vez], são sinais de grande insegurança e de fascismo emergente.

Os debates entre Donald Trump e Hillary Clinton têm sido acompanhados, até na Europa, quase como se se tratassem de reality shows. Acredita que as próprias eleições estão a ser levadas a sério?
Bem, acho que há mais pessoas que estão a prestar atenção a estas eleições, o problema é que isto deve-se a esta farsa, que mais não é do que entretenimento. Penso que a Hillary Clinton tem algumas falhas, mas é inteligente e tem boas intenções. Provavelmente será uma presidente decente.

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